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Fevereiro Laranja reforça conscientização e combate à leucemia

09/02/2023
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Rochelle Nogueira Confira entrevista com a Dra. Paola Torres que é Hematologista do Centro Regional Integrado de Oncologia – CRIO sobre esse tipo de câncer.

O mês de Fevereiro é destinado a ações de conscientização e combate à leucemia. O período serve de alerta à população sobre a patologia que é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos do sangue que pode ser curado com tratamento específico.

Segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número estimado de casos novos de leucemia para o Brasil, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de 11.540 casos, o que corresponde a um risco estimado de 5,33 por 100 mil habitantes, sendo 6.250 em homens e 5.290 em mulheres. A leucemia ocupa a décima posição entre os tipos de câncer mais frequentes.

Em busca de informações sobre esse tipo de câncer, procuramos a Dra. Paola Torres, Hematologista do Centro Regional Integrado de Oncologia – CRIO, para nos aprofundar sobre esse tipo de câncer. Confira a entrevista.

O que causa a leucemia?

Dra. Paola Torres: As leucemias elas são doenças multifatoriais, mas a gente pode dizer que alguns fatores de riscos podem estar ligados a leucemia como, por exemplo a exposição à pesticidas, agrotóxicos, radiação e também pessoas que fizeram previamente quimioradioterapia podem desenvolver no futuro leucemia aguda. Então nós dizemos que a exposição a substâncias citadas, o benzeno, que é uma substância presente no querosene, os solventes e nos combustíveis, também aumentam as chances dessas pessoas desenvolveram uma leucemia aguda. No entanto, como se trata de uma doença multifatorial, a pessoa que já tem uma predisposição a desenvolver leucemia esses agentes se tornam apenas gatilhos para a doença se expressar.

Existe alguns sintomas que alertam para a doença?

Paula Torres: É lógico que quando nós estamos doentes o corpo dá sinais de que pode alguma coisa não estar indo bem no organismo. Mais isso depende muito, pois a leucemia tem sintomas comuns com outras doenças. Não é por que uma pessoa está sentindo sinal ou com sintomas que ela necessariamente vai ter anemia. No entanto, um sintoma que acontece geralmente quando a pessoa tem leucemia é uma febre recorrente, fraqueza (a pessoa não sente coragem de fazer suas funções do dia a dia), alguns pacientes vão aparecer com hematomas pelo corpo, palidez. Por isso, é importante que procure um médico pra avaliar com que frequência a pessoa está sentindo isso e a necessidade de pedir exames que complementem a sua observação. Então as leucemias se caracterizam por febre, palidez, tendência a infecção e tendência ao sangramento, isso a grosso modo, mas nunca é dispensável o médico para confirmar e encaminhar adequadamente o paciente.

Como é feito o diagnóstico?

Paula Torres: Se existe uma suspeita de leucemia o primeiro exame que é solicitado é o hemograma. No hemograma um médico com experiência já pode claramente observar que existem indícios fortes de que aquele paciente pode estar com leucemia. O diagnóstico vai ser feito através de um exame chamado de mielograma realizado através de uma punção na medula óssea que é a fábrica do sangue. Então a medula óssea ela precisa ser acessada por meio de um procedimento simples que requer apenas uma anestesia local onde se utiliza uma agulha para a coleta do sangue. Nesse sangue é feito uma análise microscópica das células e realizado um outro exame chamado imunofenotipagem que marca as células e se sabe exatamente qual o tipo de leucemia. Também é feito um exame de genética molecular para descobrir qual é o defeito do DNA que está ligado àquela leucemia. E por que que isso é importante? Porque isso vai influenciar toda a escolha do tratamento da quimioterapia e o futuro do tratamento vai depender dessa análise. Então o tratamento feito é por um médico hematologista e esses exames precisam ser requisitados por um hematologista experiente porque ele vai saber quais são os exames a serem requisitados para dar o diagnóstico correto da doença.

Existe alguma forma de prevenção?

Paula Torres: A leucemia assim como a maioria dos tipos de câncer não podem ser prevenidos. Mas é lógico que, evitar exposição as agrotóxicos, a pesticidas, corantes em excessos, benzenos, alimentos ultra processados, tudo isso são formas de prevenir, principalmente se você tem uma tendência a desenvolver leucemia. A leucemia não é hereditária, mas a tendência ao câncer está ligada a fragilidade do DNA (todo e qualquer tecido canceroso, seja leucemia, no pulmão, na mama, no intestino, surge porque o DNA se fragiliza, sofre mutações e são essas mutações que vão originar o câncer). Então é lógico que o benzeno, que é o elemento que está no querosene, na gasolina, pesticidas, agrotóxicos, exposição a radiação, tudo isso vai aumentar a predisposição que a pessoa tem de desenvolver a doença.

Como é feito o tratamento?

O tratamento das leucemias sempre é feito com quimioterapia. Nas leucemias agudas a terapia é feita com drogas injetadas na veia e também por via oral. Então é um tratamento feito através de uma coisa que nós chamamos de protocolos. Existem protocolos de tratamento que são adotados por serviços no mundo inteiro, então dependendo do local onde o paciente vai ser tratado, vai ser usado o protocolo X ou Y, mas eles sempre têm em comum as mesmas droga e o que diferencia é a frequência e a dose com que são utilizadas ciclicamente nas semanas, meses e ano. É preciso lembrar também das leucemias crônicas que são doenças mais indolentes. Elas são mais arrastadas e requerem somente tratamento oral. Muitas dela nem precisam de tratamento, como é o caso da leucemia linfoide crônica. Dependendo do estágio, dependendo da idade do paciente, só vai ser observado o quadro de saúde. Então, a gente tá falando aqui mais das leucemias agudas que sempre são tratadas com quimioterapia. Se a quimioterapia não é efetiva se pode pensar numa estratégia de tratamento chamada de transplante de medula óssea, transplante alogênico, que precisa de um doador compatível, seja ele parente ou não.

Existem substâncias que podem levar a leucemia? quais?

Sim. No Brasil foram liberados nos últimos quatro anos vários pesticidas que não são utilizados em muitos países desenvolvidos exatamente porque eles elevam, aumentam a capacidade de desenvolver câncer. Outra substância é o benzeno, que também aumenta o risco de leucemia, evitar exposição a pesticidas, aos organofosforados que são venenos para matar ratos, para matar cupim. Essa exposição prolongada pode sim aumentar o risco que a pessoa tem de desenvolver leucemia. Então cuidado quando for manipular substâncias tóxicas sem o devido treinamento, sem o devido cuidado e sem a devida proteção.

Serviço

No caso da pessoa estar com alguns dos sintomas citados pela médica, é necessário buscar atendimento em um dos 116 Postos de Saúde espalhados por Fortaleza. Com a recomendação médica do hemograma e já com a indicação de que o paciente está com esse tipo de câncer, a unidade de saúde dará início ao processo de inserção na Central de Regulação. O atendimento passará para a Rede Contratualizada, por exemplo Crio ou ICC, ou pela Rede Estadual.

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